Avançar para o conteúdo principal

To Father Victor White

To Father Victor White

 

Oxford, Bollingen, 21 de setembro de 1951.

 

Dear Victor,

Vi Mrs. X. e posso garantir-lhe que é vistosa e ainda mais ainda! Tivemos uma conversa muito interessante e devo admitir que ela é notável. Se alguma mulher já foi anima, então é ela sem dúvida alguma.

Em tais casos é melhor fazer o sinal da cruz, porque a anima, especialmente quando é quintessencial como neste caso, lança uma sombra metafísica, comprida como a conta de hotel, contendo itens sem fim que combinam maravilhosamente. Não se pode rotulá-la e colocá-la numa gaveta. Ela realmente faz a gente pensar. Jamais havia esperado coisa igual. Ao menos entendi agora por que ela sonha com vencedores de corridas: isto faz parte dela. Ela é um fenômeno sincronístico perfeito; e não se pode acompanhá-la, tampouco quanto se pode acompanhar o nosso inconsciente.

Suponho que seja muito grato a São Domingos por ter ele fundado uma ordem da qual o senhor é membro. Em tais casos agradece-se a existência de mosteiros. É evidente que ela aprendeu nos livros toda sua psicologia e teria derrotado todo e qualquer analista decente e competente. Espero sinceramente que ela continue a sonhar com vencedores de corridas, pois gente assim precisa de dinheiro para manter-se a flutuar.

Se encontrar Mrs. X. diga-lhe que gostei muito de sua visita, mas não fale das minhas outras ponderações. Não deve ser assustada tão cedo.

Não trabalhe demais!

Yours cordially, C. G. Jung

 

P.S. Não esqueça, por favor, de pedir a seu amigo e confrade suíço que procure na biblioteca vaticana algum manuscrito inédito de Sto. Tomás!!!

 

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Para Maud Oakes

Prezada Srta. Oakes, 11 de fevereiro de 1956. Li sua meditação sobre a pedra com muito interesse. Seu método de leitura da mensagem é adequado e, neste caso, o único que produz resultados positivos. A senhora entende a pedra como uma declaração sobre um mundo mais ou menos ilimitado de imagens-pensamento. Concordo plenamente com seu ponto de vista. Pode-se ler os símbolos dessa maneira. Quando esculpi a pedra, porém, não pensei. Apenas dei forma ao que vi em sua superfície. Às vezes, a senhora se expressa (no manuscrito) como se meus símbolos e meu texto fossem uma espécie de confissão ou crença. Assim, parece que eu estava me aproximando da teosofia. Na América, em particular, sou culpado pelo meu suposto misticismo. Já que não afirmo de forma alguma ser o feliz proprietário de verdades metafísicas, preferiria muito mais que você atribuísse aos meus símbolos a mesma hesitação que caracteriza sua tentativa explicativa. Veja bem, não tenho convicções religiosas ou de qualquer outr...

Ao Prof. Markus Fierz

  Ao Prof. Markus Fierz, Basileia, 05 de abril de 1955.   Prezado Professor, Muito obrigado por enviar-me seu escrito sobre a doutrina do espaço absoluto, de Isaac Newton (1). É um assunto que me interessa muito, e só espero que minha força mental ainda consiga acompanhar a linha de pensar de Newton. Tenho a intenção de fazer uma visita à sua mãe (2); é admirável como suporta sua doença que não tem esperança de cura. Meus agradecimentos e cordiais saudações, C. G. Jung   (1)M. Fierz, “Über den Usprung und die Bedeutung der Lehre Isaac Newton vom absoluten Raum”, em Gesnerus II, Aarau, 1954. (2)Linda Fierz-David, autora de Der Liebestraum des Poliphilo, Zurique, 1947. Prefácio de Jung em Vol. 18.  

Ao Dr. Med. Ignaz Tauber

  Ao Dr. Med. Ignaz Tauber (1) Winterthur, 23 de janeiro de 1953.   Prezado colega! Muito obrigado por sua amável visita. Tive uma noite muito boa. Um quidinal bastou para sustar a taquicardia. Hoje vou melhor e já estou de pé. Ontem esqueci completamente de perguntar-lhe o que o senhor acha de seu fumar. Até agora eu venho fumando um cachimbo com condensação de água (2) pela manhã antes de começar o trabalho, um charuto pequeno, correspondente a um ou dois cigarros, após o almoço, outro cachimbo pelas 4 horas da tarde, um   charuto pequeno após o jantar e geralmente mais um cachimbo pelas nove e meia. Um pouco de tabaco ajuda-me na concentração e contribui para a paz de espírito. Peço também que me envie a conta dos honorários. O senhor teve a gentileza de trazer-me o Corhormon. Já tomei hoje uma injeção. Com sincera gratidão por seus conselhos, sou atenciosamente, C. G. Jung.   (1)Dr. Med. Ignaz Tauber, Winterthur; clínico geral e analista. Ele e su...