31 de janeiro de 1956. Prezada Srta. Oakes, Como pode imaginar, estou bastante surpreso ao saber do seu projeto, embora esteja plenamente ciente de que uma pessoa imaginativa poderia facilmente escrever não um, mas vários volumes sobre a minha pedra. Todos os volumes que escrevi estão contidos nela em essência. A própria mandala é apenas uma espécie de hieróglifo, sugerindo e tentando expressar um vasto contexto de forma bastante abreviada. Seu método de compreender seu conteúdo através de sua experiência subjetiva é irrepreensível, na verdade, a única maneira correta de ler sua mensagem. Essa é justamente a virtude da expressão simbólica: ela pode ser lida de muitas maneiras diferentes por muitas pessoas diferentes. E se forem honestas, a leitura estará correta. Assim, como pode ver, estou preparado para o choque de receber o manuscrito sobre algo que pertence enfaticamente ao meu eu mais íntimo. Peço apenas que tenha paciência com a lentidão da idade. Deus lhe concede uma res...
Bollingen, 8 de janeiro de 195. Prezado Professor Bohler, Gostaria de agradecer sua gentil carta com os votos de boas festas e enviar-lhe meus votos para o próximo ano. Gostaria também de reiterar o quanto seu interesse pelo meu trabalho significa para mim e o quanto aprecio esta oportunidade de discussão frutífera que o senhor e um destino benevolente me proporcionaram. O senhor me perdoará se eu expressar o desejo de que dê livre curso às suas críticas, observações e perguntas, independentemente de considerações pessoais. Como demonstra sua carta¹, o senhor está se aproximando rapidamente do problema do envolvimento pessoal para além de todos os temas intelectualistas, quando o homem como um todo se manifesta a partir de sua insondável bagagem. O senhor toca nesse ponto com a ideia do herói e suas inevitáveis consequências na vida pessoal e coletiva. Isso o leva, por um lado, ao ideal pessoal fictício e, por outro, à figura central do mito cristão, que nos guiou nos ú...