Prezado Fowler, 20 de março de 1956. O livro de Ruppelt sobre os OVNIs¹ que você gentilmente me enviou é exatamente o que eu precisava. Isso confirma as conclusões a que cheguei em meu artigo na Weltwoche 1954 (2) disse no final deste artigo: “Algo é visto, mas ninguém sabe o quê”. Essa é precisamente a conclusão a que o Sr. R. também chegou. Nem mesmo se sabe ao certo se é um fenômeno natural, ou um artifício inventado por seres comparáveis aos homens, ou ainda um animal bestial viajando no espaço, uma espécie de inseto espacial gigante, ou — por último, mas não menos importante — um fenômeno parapsicológico — em todo caso, um fenômeno extremamente intrigante e perturbador. Agradeço-lhe imensamente sua atenção. O livro me proporcionou não apenas grande prazer, mas também informações valiosíssimas. Tivemos um inverno infernal por aqui, um tipo de clima que nunca experimentei em toda a minha vida. Causou inúmeros danos, mas desde ontem parece que estamos navegando rumo à prima...
Prezada Dra. Jacobi, 13 de março de 1956 Peço desculpas pelo atraso na entrega do meu relatório. Li seu ensaio (1) na Festschrift Psyche com grande interesse. É uma ótima apresentação dos meus conceitos, ou melhor, dos nomes que uso para expressar fatos empíricos. Mas sempre me deparo com o uso frequente do termo “teoria” ou “sistema”. Freud tem uma “teoria”, eu não tenho uma “teoria”, mas descrevo fatos. Não teorizo sobre como as neuroses se originam, descrevo o que se encontra nas neuroses. Também não tenho nenhuma teoria sobre sonhos, apenas indico o tipo de método que utilizo e quais são os possíveis resultados. Devo enfatizar isso porque as pessoas sempre deixam de perceber que estou falando e nomeando fatos, e que meus conceitos são meros nomes e não termos filosóficos. Ainda preciso mencionar os dois pontos seguintes. Na página 269, a senhora escreve que aplico a associação “livre” de Freud ao contexto pessoal, mas não ao material arquetípico. Eu não uso associação livre...