Agosto de 1956. Prezado Sr. N., (1) Desculpe a demora na resposta, mas, como sou dez anos mais velho que você, presumo ser dez vezes mais lento também. Sua carta não apenas me interessou, mas também me impressionou. A escolha de suas esposas foi característica. Elas eram encarnações temporárias daquilo que chamo de sua “anima”. Não sei se você já está familiarizado com meus escritos a ponto de conhecer o arquétipo feminino que cada homem carrega em seu inconsciente (2). A Idade Média já conhecia esse fato psíquico peculiar e dizia: omnis vir feminam suam secum portat . Na prática, isso significa que a mulher de sua escolha representa a sua própria tarefa, aquela que você não compreendeu. Existe uma certa capacidade criativa que, aparentemente, não vem acompanhada de um dom técnico correspondente. Pessoas assim são bastante comuns e não conseguem entender que o homem criativo precisa criar e tornar visível sua obra, apesar de não conseguir fazê-lo adequadamente. Ele pode se...
EUA, 10 de agosto de 1956. Prezada, N., Fiquei muito satisfeito ao saber que agora você tem casa e terra próprias. Isso é importante para os poderes ctônicos. Espero que você encontre tempo para confiar à terra as suas contrapartes vegetais e cuidar do crescimento delas, pois a terra sempre deseja que filhos — casas, árvores, flores — brotem dela e celebrem o casamento da psique humana com a Grande Mãe; eis o melhor contrafeitiço para a extroversão desenraizada! Com os melhores cumprimentos a você e ao seu querido marido, Sempre seu fiel C. C. Jung Foto: Orquídea do quintal de minha residência.