10 de setembro de 1956. Prezado Sr. Lerch, Sua pergunta (1) diz respeito a um daqueles problemas que me intrigam há anos: a conexão entre a psicologia do inconsciente e as propriedades dos números inteiros, de um lado, e as propriedades da matéria, de outro. Abordei inicialmente esse problema complexo sob um ângulo puramente epistemológico. Devo antecipar, aqui, que o termo “epistemológico” tem um matiz psicológico, pois minha disciplina me obriga a responder — ou, pelo menos, a levar em conta — a seguinte questão: o que acontece psicologicamente se eu paro diante da barreira epistemológica ou se formulo um juízo transcendental? Ocorrem aqui reações psicológicas que o epistemólogo mal considerou até agora, se é que o fez. A razão disso é que ele desconhece a existência de uma psique inconsciente. Portanto, se o meu processo cognitivo estanca em um ponto ou outro, isso não significa que o processo psicológico subjacente também tenha parado. A experiência mostra que ele continua,...
Agosto de 1956. Prezado Dr. Murray, Muito obrigado por sua gentil carta. É um grande prazer para mim ter notícias suas depois de tanto tempo. Agradeço também pelos seus votos de feliz aniversário. — Minha correspondência com Freud não será publicada num futuro próximo. Terá de esperar até que eu deixe estas instalações definitivamente. Interessa-me muito saber que o senhor está ministrando palestras sobre a minha psicologia. Fico feliz em saber do sucesso que tem obtido ao proferir suas palestras. Parece ser um assunto extremamente difícil, algo de que eu não me dera conta enquanto escrevia meus livros. É verdade que a Bollingen Press relutou quanto à publicação de minha obra Resposta a Jó. Eles temiam que ela provocasse ainda mais preconceito e indignação contra minhas ideias não convencionais. Este é mais um dos meus livros que exige uma reflexão cuidadosa. Sempre desejei conhecer o Prof. Tillich, mas nunca encontrei oportunidade para isso. Suas perguntas sobre “individ...