Chicago, Ill./ EUA, julho de 1956. Prezado Sr. Kristof, Como o senhor sabe, não sou filósofo, mas sim um empirista; portanto, meu conceito de inconsciente coletivo não é filosófico, mas empírico. Designo com esse termo todas as nossas experiências de “padrões de comportamento”, na medida em que estes sustentam ou provocam a formação de certas ideias. Por estas últimas, refiro-me a ideias míticas no sentido mais amplo da palavra, tais como as que podem ser observadas na mitologia e no folclore, bem como nos sonhos, visões e fantasias de pessoas normais e psicologicamente doentes. A existência e o surgimento espontâneo de tais ideias, independentemente da tradição e da migração, permitem inferir a existência de uma disposição psíquica universal — um instinto — que provoca a formação de ideias típicas. A disposição ou o “padrão” instintivo é herdado, mas não a ideia em si; esta consiste em elementos recentes, adquiridos individualmente. Embora a inferência de uma disposição psíquica...
Prezado Senhor, julho de 1956. Quanto à tradução para o espanhol do meu livro Naturerklärung und Psyche (1), aconselho-o a utilizar a versão em inglês. Em comparação com o texto original em alemão, há um número considerável de melhorias na versão inglesa, as quais acredito que devam ser levadas em conta na edição em espanhol. Penso também que o apêndice acrescentado pelos editores ingleses (2) deveria fazer parte da sua edição. Interessa-me muito o fato de o senhor ter abordado o tema da sincronicidade. Minhas ideias a esse respeito parecem ser extremamente difíceis de compreender, a julgar pelas reações que recebi. As pessoas parecem incapazes de acompanhar minhas conclusões. Parece que elas ficam particularmente chocadas com o fato de eu utilizar estatísticas astrológicas e de acreditar que nada é explicado pelos termos telepatia, precognição, etc. Os físicos são até mesmo incapazes de aceitar o fato de que o termo “estatística” pressupõe a existência de exceções à regra, tã...