Prezada Sra. Kotschnig, 30 de junho de 1956 Não é muito fácil responder à sua pergunta (1) no espaço de uma carta. A senhora sabe que nós, seres humanos, somos incapazes de explicar qualquer coisa que aconteça fora ou dentro de nós, a não ser pelo uso dos meios intelectuais à nossa disposição. Sempre temos que usar elementos mentais semelhantes aos fatos que acreditamos ter observado. Assim, quando tentamos explicar como Deus criou Seu mundo ou como Ele se comporta em relação ao mundo, a analogia que usamos é a maneira como nosso espírito criativo produz e se comporta. Quando consideramos os dados da paleontologia sob a perspectiva de que um criador consciente talvez tenha gasto mais de um bilhão de anos, e tenha feito, ao que nos parece, inúmeros desvios para produzir a consciência, inevitavelmente chegamos à conclusão de que — se quisermos explicar Seus feitos — Seu comportamento é surpreendentemente semelhante ao de um ser com uma consciência, no mínimo, muito limitada...
Prezada Sra. N., 28 de junho de 1956 É difícil aceitar o destino que você descreveu. Além da conquista moral exigida, a aceitação completa depende muito da concepção que você tem do destino. Uma visão exclusivamente causal é permitida apenas no âmbito dos processos físicos ou inorgânicos. A visão teleológica é mais importante na esfera biológica e também na psicologia, onde a resposta só faz sentido se explicar o “porquê” disso. Portanto, é inútil se apegar às causas, já que elas não podem ser alteradas de qualquer forma. É mais gratificante saber o que fazer com as consequências e o tipo de atitude que se tem — ou se deveria ter — em relação a elas. Então, surge imediatamente a pergunta: O evento tem um significado? Um propósito oculto do destino, ou a vontade de Deus, teve alguma influência nisso, ou não passou de “acaso”, um “acidente’? Se o propósito de Deus era nos testar, por que então uma criança inocente deve sofrer? Esta questão toca num problema que é claramen...