Prezado Professor Bohler, 23 de fevereiro de 1956
Acabei de voltar do Ticino e encontrei sua carta. Aguardo o
nosso encontro na próxima terça-feira, 28 de fevereiro de 1956, por volta das 8
horas. Seus sonhos (1) são muito interessantes. Como símbolos “contemporâneos”
dos opostos, os peixes têm a tendência de se devorar mutuamente se forem deixados
em paz. No fim, você não tem alternativa a não ser assumir os conflitos,
deixando de se identificar ora com um lado, ora com o outro. Você se torna o
que acontece no meio. Então você está no fluxo, e para isso precisa da nobreza
de espírito do guerreiro. ...
Passei meu tempo livre estudando a fundo o Evangelium
veritatis (2) de Valentim. Não é exatamente um problema fácil.
Enquanto isso, com os melhores cumprimentos,
Sinceramente, c. G. JUNG
(1) No primeiro sonho, um lago está completamente coberto por
um padrão de peixes em lados opostos. Uma revolução acontece, com a qual o
sonhador só consegue lidar com muita dificuldade.
Ele consegue permitindo que os peixes se devorem uns aos
outros. — No segundo sonho, ele se encontra em um antigo campo de batalha onde
desenterra o coração de um soldado caído da lama.
(2) Cf. White, 24 de novembro de 1953, nota 17.
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