Prezada Dra. N., 26 de junho de 1956
Só agora posso agradecer-lhe por suas cartas e também pelo livro
Pan im Vaccares, (1) que estou guardando para as minhas férias. No momento,
meu trabalho não me permite tal descanso.
Fiquei particularmente interessado no sonho (2) que, em
meados de agosto de 1955, antecipou a morte da minha esposa. Provavelmente
expressa a ideia de perfeição da vida: o epítome de todos os frutos,
arredondado em uma bola, atingiu-a como karma. A bola representa a morte em sua
forma perfeita; é, ao mesmo tempo, um símbolo do eu. A morte trouxe - e
provavelmente sempre traz - um confronto com a totalidade. Mas talvez nem
sempre com tanta perfeição. Esses são os pensamentos que associei ao seu sonho.
Atenciosamente, C. G. Jung.
1. Joseph d'Arbaud, Pan im Vaccares (trad. do francês, 1954).
2. O cenário do sonho é o sul da França, com os Maquis por
perto. A Sra. Jung é atingida por uma bola feita de fruta.
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