Prezada Sra. Kotschnig, 30 de junho de 1956 Não é muito fácil responder à sua pergunta (1) no espaço de uma carta. A senhora sabe que nós, seres humanos, somos incapazes de explicar qualquer coisa que aconteça fora ou dentro de nós, a não ser pelo uso dos meios intelectuais à nossa disposição. Sempre temos que usar elementos mentais semelhantes aos fatos que acreditamos ter observado. Assim, quando tentamos explicar como Deus criou Seu mundo ou como Ele se comporta em relação ao mundo, a analogia que usamos é a maneira como nosso espírito criativo produz e se comporta. Quando consideramos os dados da paleontologia sob a perspectiva de que um criador consciente talvez tenha gasto mais de um bilhão de anos, e tenha feito, ao que nos parece, inúmeros desvios para produzir a consciência, inevitavelmente chegamos à conclusão de que — se quisermos explicar Seus feitos — Seu comportamento é surpreendentemente semelhante ao de um ser com uma consciência, no mínimo, muito limitada...