Agosto de 1956. Caro amigo, Minha última carta (1) não pretendia ser uma carta de despedida; ela apenas dava vazão ao meu descontentamento pelo fato de você não ter percebido o quanto me esforcei para compreender psicologicamente a concepção dogmática de Cristo. Hoje, como sempre, mantenho a opinião de que os teólogos protestantes teriam todos os motivos para levar a sério as minhas ideias, pois, caso contrário, poderia acontecer aqui o mesmo que já ocorreu na China e ocorrerá na Índia: que as ideias religiosas tradicionais morram devido a uma interpretação excessivamente literal, ou sejam rejeitadas em massa por serem indigestas. Na China, por exemplo, um filósofo como Hu Shih (2) envergonha-se de saber algo sobre o I Ching (3), o profundo significado do Tao perdeu-se e, em vez disso, as pessoas cultuam locomotivas e aviões. Hoje em dia, há apenas um punhado de teólogos protestantes que têm a menor ideia do que a psicologia poderia significar para eles. Com saudações...