Setembro de 1956. Prezado Sr. Lasky, Muito obrigado por me enviar os três números da Der Monat com o artigo de James P. O'Donnell, Der Rattenfänger von Hameln (1), e as respostas de Hans Scholz (2) e do Dr. E. Schmitz-Cliever (3). Li-os com grande interesse e concordo plenamente com as opiniões dos dois últimos autores. Os fatos históricos relatados por O'Donnell jamais teriam bastado para dar origem a uma lenda tão estranha e inquietante. Ao contribuir — a seu pedido — com algumas palavras para a discussão, gostaria de enfatizar a realidade em torno da qual a lenda gira. H. Scholz também o fez, alertando acertadamente para que não a ignorássemos. Como psiquiatra, atribuo a devida importância à realidade em jogo aqui: a um poder que emana do inconsciente, cuja natureza discuti anos atrás em meu ensaio Wotan (4) — um ensaio que nem sempre é lido com prazer. Os poderes psíquicos a cuja mercê os homens se encontravam eram, antigamente, chamados de “deuses”, o que tinh...