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A Adolf Keller

Agosto de 1956.

 

Caro amigo,

Minha última carta (1) não pretendia ser uma carta de despedida; ela apenas dava vazão ao meu descontentamento pelo fato de você não ter percebido o quanto me esforcei para compreender psicologicamente a concepção dogmática de Cristo. Hoje, como sempre, mantenho a opinião de que os teólogos protestantes teriam todos os motivos para levar a sério as minhas ideias, pois, caso contrário, poderia acontecer aqui o mesmo que já ocorreu na China e ocorrerá na Índia: que as ideias religiosas tradicionais morram devido a uma interpretação excessivamente literal, ou sejam rejeitadas em massa por serem indigestas. Na China, por exemplo, um filósofo como Hu Shih (2) envergonha-se de saber algo sobre o I Ching (3), o profundo significado do Tao perdeu-se e, em vez disso, as pessoas cultuam locomotivas e aviões.

Hoje em dia, há apenas um punhado de teólogos protestantes que têm a menor ideia do que a psicologia poderia significar para eles.

Com saudações cordiais, Carl.

 

1) Esta carta não foi preservada.

2) Filósofo e diplomata chinês (1891-1962); embaixador da China nos EUA entre 1938 e 1942; frequentemente chamado de “Pai do Renascimento Chinês”. Cf. *The Chinese Renaissance* (1934) e *The Development of the Logical Method in Ancient China* (2ª ed., 1963).

3 Ver Memórias, Apêndice IV: Richard Wilhelm.

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