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Destinatário Anônimo

10 de outubro de 1956

Prezado senhor,

Não sei onde o senhor obteve essa história um tanto infantil sobre diretores dos assuntos mundiais sediados em mosteiros tibetanos. (1) Seria uma tarefa difícil se alguém se aventurasse a lhe pedir a menor prova a esse respeito. 

De qualquer modo, posso lhe dizer que não sou membro de tal organização totalmente fantástica. Nunca sequer ouvi falar de sua existência, e eu não seria tolo a ponto de acreditar nela, mesmo que uma dúzia de sociedades teosóficas declarasse sua fé em tamanha farsa evidente.

O senhor já viu sequer um verdadeiro *rimpoche* tibetano? (2) Eu já vi, inclusive um que estudou por 20 anos em Lhasa. Eles sabem muitas coisas interessantes, mas estão a léguas de distância de onde nós, no mundo ocidental, imaginamos que estejam.

Atenciosamente, C. G. Jung.

(1) O remetente escreveu uma carta bastante fantasiosa sobre todo tipo de grupo esotérico "com suas sedes principais nas montanhas trans-himalaicas" que controlaria o destino do mundo, alegando que Jung era um deles.

(2) Um *rimpoche* é o abade de um mosteiro tibetano. Jung menciona sua conversa com o *rimpoche* Lingdam Gomchen em *Psicologia e Alquimia* (CW 12, par. 123).

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