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Mensagens

Ao Dr. Phil. Gustav H. Graber

Ao Dr. Phil. Gustav H. Graber (1) Berna 14 de julho de 1950. Prezado e distinto colega! Seu número especial pelo meu aniversário, com seu gentil prefácio, foi para mim grande surpresa e grande alegria (2). Estou muito impressionado com o grande número de colaboradores e com suas excelentes contribuições. Reconheço o grande trabalho que deu ao redator reunir tanta coisa e tão boa. Esta publicação comemorativa, que antecipa a celebração de meu septuagésimo quinto aniversário, é em seu todo um notável resumo das minhas ideias que lançaram raízes na mente de meus contemporâneos. Por isso ela é importante para mim também como eco. O septuagésimo quinto aniversário é um momento em que se olha para trás, com um olhar sorridente e lacrimoso, para o longo caminho que foi percorrido, esperando que seja de proveito também para as outras pessoas. É confortador ver que não poucas sementes caíram em terra fértil. Agradeço em primeiro lugar ao senhor que me causou esta alegria, mas...

À Sra. Sibyle Birkhäuser-Oeri

À Sra. Sibyle Birkhäuser-Oeri (1) Binningen na Basileia 13 de julho de 1950. Prezada Sra. Birkhäuser, Infelizmente costuma acontecer (quando se é tão velho como eu) que o esprit d’escalier começa a desempenhar o seu papel indesejado. O seu caso continuou me atormentando, até que descobri o que foi que eu não lhe havia dito: deixar entrar o inconsciente é apenas a metade da tarefa. A segunda metade, que não mencionei, consiste em entender-se com o inconsciente. A fantasia que me entregou para ler nada mostra desse “entendimento”. Não sei se minha conclusão de que a senhora desconhece esta tarefa importante está certa. Exemplo disso pode encontrar em meu livro O eu e o inconsciente: é o caso de um jovem que deixa sua noiva cair numa fenda do gelo e se afogar (2). A gente tem que entrar pessoalmente na fantasia e obrigar a figura a falar e responder. Só assim o inconsciente é integrado na consciência, isto é, através de um processo dialético, através de um diálogo da sen...

Para o Prof. Chung-Yuan Chang

Para o Prof. Chung-Yuan Chang (1) Nova Iorque 26 de junho de 1950. Der Sir, Li o seu ensaio (2) com grande interesse e posso dizer-lhe que concordo basicamente com os seus pontos de vista. Vejo o taoísmo na mesma ótica do senhor. Sou grande admirador da filosofia de Chuang-tzu. Estava exatamente imerso no estudo de seus estudos, quando chegou a sua carta. O senhor certamente sabe que o taoísmo formula princípios psicológicos que são de natureza bem universal. Eles são de fato tão abrangentes que podem ser aplicados a toda a humanidade. Mas, por outro lado, exatamente por serem tão universais, os princípios do taoísmo precisam de uma retradução e especificação quando se trata de sua aplicação prática. Evidentemente é inegável princípios gerais são da maior importância, mas é importante também conhecer nos mínimos detalhes o caminho que leva à sua compreensão real. O perigo da mente ocidental está na simples aplicação de palavras em vez de fatos. O que a mente ocide...

A uma destinatária não identificada

10 de junho de 1950. Prezada Doutora! Com teorias não chegará a lugar nenhum. Procure ser simples e dar sempre apenas o próximo passo. Não precisa prevê-lo, basta que o examine depois. Não existe um “como” da vida, mas a gente o faz, como, por exemplo, a senhora escreveu a sua carta. No entanto, parece que para a senhora é tremendamente difícil não ser complicada e fazer o simples e o que está à mão. Com essas fantasias exageradas de salvação a senhora se isola do mundo. Desça, portanto, da montanha de sua humildade e siga o seu nariz. Este é o seu caminho, e o mais direto. Saudações cordiais, C. G. Jung.

Philip Magor

To Philip Magor Londres 23 de maio de 1950. Dear Mr. Magor, Refleti muito tempo sobre sua pergunta e não sei exatamente o que poderia responder. O senhor certamente conhece a singela verdade de que a oração não é apenas de grande importância mas também exerce grande influência sobre a psique humana. Se tomarmos o conceito de oração em seu sentido mais amplo, incluindo também a contemplação budista e a meditação hindu (como equivalentes da oração), pode-se dizer que ela é a forma mais universal de concentração religiosa ou filosófica da mente e, por isso, não só um dos meios mais originais mas também mais frequentes para mudar a condição da mente. Se este método psicológico tivesse sido ineficaz, há muito teria sido extinto, mas ninguém com alguma experiência humana pode negar sua eficácia. Isto é quase tudo o que posso dizer-lhe em poucas palavras. Caso contrário, deveria escrever um tratado inteiro. Sincerely yours, C. G. Jung

Dr. Oskar Splett

Ao Dr. Oskar Splett Munique 23 de maio de 1950. Prezado Doutor, Confesso que sua pergunta (1) é bem difícil de ser respondida e peço que considere minhas observações neste sentido como mais ou menos hipotéticas. Eu também estou em dúvida se o termo “precocidade” é o correto. Acompanhando o senhor, preferiria dizer que se trata de uma espécie de “despertar” ou “increased awareness”. Observa-se este fenômeno em todos os países que foram atingidos mais ou menos diretamente pela guerra e sobretudo naqueles em que as ações bélicas e revolucionárias foram mais intensas. Contudo, o grau mais elevado verificou-se com relação às crianças abandonadas da Rússia, as chamadas “Besprisornji”. Trata-se aqui não de verdadeira maturação, mas de um despertar precoce e de uma intensificação unilateral das tendências instintivas. Se quisermos entender por maturação uma expansão da consciência ou um aperfeiçoamento da personalidade, isto seria completamente errado. Na grande maioria dos...

To Roscoe Heavener, Jr.

To Roscoe Heavener, Jr. Colmar (Pensilvânia) EUA. 16 de maio de 1950 Dear Mr. Heavener, Não saberia dizer-lhe precisamente por que e sob quais circunstâncias Adler separou-se de Freud. A razão geral – conforme ouvi dizer na época – é que Freud não conseguia admitir o ponto de vista de Adler. Isto eu posso confirmar. Freud não conseguia realmente enxergar que os pontos de vista de Adler eram justificados por fatos. Escrevi diversas vezes sobre o meu desentendimento com Freud (1). A primeira coisa foi que Freud não conseguia aceitar a minha ideia de que a energia psíquica (libido) é mais do que instinto sexual e que o inconsciente não só deseja mas também superar os seus próprios desejos. Eu não podia concordar com a afirmação de Freud de que a técnica da psicanálise se identificava com a sua teoria sexual. Eu não podia concordar com sua teoria dos sonhos como realizações de desejos. Infelizmente Freud entendeu a dúvida teórica ou a crítica como ataque pessoal, mas eu...