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Mensagens

À Valerie Reh

 Tel Aviv/Israel, 28 de julho de 1952. Prezada senhora! Muito obrigado por sua amável carta e pelo diagnóstico de caráter (1). Este é bem apropriado, inclusive quanto aos detalhes. A sensibilidade ao  barulho ainda persiste. Procure sempre o silêncio. Sou um feixe de opostos e só consigo suportar-me quando me considero um fenômeno objetivo. Minha capacidade de trabalho diminuiu muito - provavelmente um sinal de cansaço, já que trabalhei muito nos últimos anos. Temo novas ideias, pois exigem muito trabalho para mim. Preciso agora de muito repouso. Com sinceros agradecimentos e saudações cordiais, C. G. Jung (1) A senhor Reh fez um diagnóstico de personalidade de Jung com base na "numerologia". Segundo este método, cada letra do nome, correspondente à sua posição no alfabeto, tem um valor numérico, e cada número tem um significado psicológico. Os valores numéricos do nome são combinados com os da data de nascimento e interpretados caracterologicamente.

A uma destinatária não identificada

  Dear N., 28 de julho de 1952. Dear N., Estou muito cansado para pensar em novas aventuras. No momento devo armar minha mente contra os ataques ao meu Jó , que vem causando os mais estranhos mal-entendidos. O meu aniversário, apesar de comemorado modestamente no círculo familiar, foi bastante cansativo devido às muitas cartas e telegramas. Em geral estou me recuperando devagar, mas minha cabeça não quer fazer o trabalho sério que precisa ser feito. Espero que não esteja sendo devorada viva por seus visitantes. Yours graterfully, C. G.

Para Aniela Jaffé

Zurique, 24 de julho de 1952. Prezada Aniela, [...] Sincronicidade é apenas um cantinho onde podemos ventilar um pouco o mistério do mundo. Não convém fazer especulações sobre a eternidade. A sincronicidade também não é a última palavra. Com o tempo aparecerão muitas outras palavras, mas não de minha parte. Felizmente estou improdutivo, e assim me sinto mais normal. Espero que possa em breve ir às montanhas para uma recuperação total. Cordialmente, C. G. Referência: JUNG, C. G. Cartas: 1946-1955. Vol. 2. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 253.

To Father Victor White

  Oxford, 09-14 de abril de 1952. Parkhotel Locarno   Dear Victor, Muito obrigado por sua carta tão humana (1). Ela me dá uma ideia do que vai no seu interior. A “privatio boni” não me parece especialmente problemática, mas entendo que ela é da maior importância. Talvez seja melhor que eu continue expondo o meu ponto de vista, para que o senhor saiba como eu vejo a questão. Procurei, ao mesmo tempo, levar em consideração também o seu ponto de vista. Penso que o senhor concorda comigo que, dentro de nosso mundo empírico, o bem e o mal representam as partes indispensáveis de um julgamento lógico, assim como branco e preto, direito e esquerdo, em cima e embaixo, etc. São equivalentes de oposição, e entende-se que sempre se referem à situação de quem faz a afirmação, uma pessoa ou uma lei. Empiricamente são incapazes de confirmar a existência de qualquer coisa absoluta, isto é, não há meios lógicos para estabelecer uma verdade absoluta, com exceção de uma tautologia. E assim mesmo...

To Father Victor White

Oxford, primavera de 1952 (1) pro tempore Locarno, Parkhotel   Dear Victor, Muito obrigado pelas separatas! O senhor esteve certamente muito ocupado. Li todas e acho especialmente boa aquela sobre “The ding God” (2). O ensaio sobre Freud (3) é perspicaz e bem imparcial. Sua meditação sobre a via-sacra nada contém que eu não possa subscrever. É psicologicamente “correta”. Isto é um cumprimento sincero. Estes artigos constarão do livro que pretende escrever? (4) Espero que tenha recebido o meu livro Resposta a Jó (5). Tive um tempo atribulado no mês de março por causa de uma gripe, da qual me recupero lentamente. Viajei para cá a fim de descansar. Apesar do sol, o ar ainda está bem frio e com muito vento. Terminei o último capítulo, tão temido, de meu Mysterim Coniunctionis (6). Ele me derrubou, e minha cabeça está cansada. Bem, estou chegando aos 78 anos de idade, e queixar-se é inútil. Meu próximo objetivo será uma contemplação minuciosa da vida espiritual de lagartos...

To Mr. C. H. Josten

To Mr. C. H. Josten (1) Curator of the Ashmolean Museum Oxford, 06 de abril de 1952.   Dear Sir, Muito obrigado por me deixar ver os sonhos de Ashmole (2). Uma série dessas é realmente única. É preciso retroceder até o século terceiro depois de Cristo para encontrar algo semelhante, ou seja, as visões-sonhos de Zósimo de Panópolis. Estes são induvitavelmente alquimistas, ao passo que os sonhos de Ashmole nada têm de alquimistas, ao menos numa visão superficial. Mas são de grande interesse enquanto contêm um problema que era de muita importância na geração imediatamente anterior ao tempo de Ashmole: o chamado “mysterium coniunctionis”, apresentado no documento literário de Christian Rosencreutz, Chymische Hochzeit , 1616. Constitui também o fundamento de Fausto , de Goethe, e um dos itens mais importantes da “Speculativa Philosophia”, de Gerardo Dorneo (final do século XVI, impresso em Theatrum Chemicum (3), vol. I, 1602). O “mysterium” alcança seu ápice no sonho de 29 ...

To Dr. John R. Smythies

Londres, 29 de fevereiro de 1952.   Dear Dr. Smythies, Não me atrevo a escrever uma carta ao editor do Journal of the S. P. R., como o senhor sugere (2). Receio que meu inglês seja muito pobre, sem boa gramática e muito coloquial. Entre filósofos muito letrados e ilustres a minha argumentação simples não faria boa figura. Além disso, sei por experiência que os filósofos não entendem minha linguagem inculta. Portanto, se me permite, prefiro escrever uma carta ao senhor e deixá-lo à vontade para fazer dela o que achar mais conveniente. Quanto à sua hipótese, eu já lhe disse que me agrada muito a sua ideia de um corpo perceptivo, isto é, “sutil” (3). Seu ponto de vista parece-me bastante confirmado pelo fato peculiar de que, por um lado, a consciência tem muito pouca informação direta sobre o corpo a partir de dentro e que, por outro lado, o inconsciente (isto é, sonhos e outros produtos do “inconsciente”) se refere muito raramente ao corpo e, quando o faz, é sempre através de...