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Mensagens

Ao Dr. Ernesto A. C. Volkening

  Ao Dr. Ernesto A. C. Volkening   Bogotá, Colômbia   19 de agosto de 1950.   Prezado colega, Muito obrigado por seus votos de felicidade e por sua separata. Infelizmente não tenho grande familiaridade com a língua espanhola, mas pedirei a alguém para ler o seu trabalho e fazer um relato para mim. Seu debate com a orientação freudiana merece espaço bem amplo, pois a simplificação que faz a psique coincidir com um instinto tão importante quanto o sexual tem algo de enganoso e sedutor. Esta simplificação é perigosa, sobretudo nos dias de hoje, que se caracterizam por uma tendência iconoclasta, porque resolve numa forma aceitável ao preconceito geral um assunto extremamente complicado e difícil como é a psique. Não se percebe então que a psique não pode estar baseada necessariamente apenas no instinto da sexualidade, mas na totalidade dos instintos, e que esta base é apenas um fundamento biológico e não representa o edifício todo. Uma redução da psique t...

A Hermann Hesse

  A Hermann Hesse   Montagnolha (Tessin)   19 de agosto de 1950.   Prezado senhor Hesse, Entre as muitas mensagens e felicitações que recebi pelos meus 75 anos, uma das quais mais me surpreendeu e alegrou foi a sua. Agradeço especialmente a sua Morgenlandfahrt (1) que separei para ler num momento de tranquilidade. Mas, desde o meu aniversário, este momento ainda não chegou, pois fui cumulado de uma enxurrada de cartas e visitas além do meu controle. Na minha idade trata-se de ir “devagar e com cuidado”, e minha capacidade de trabalho já não é como era, principalmente quando se tem no programa tanta coisa ainda a ser trazida à luz do dia. Comecei um pouco tarde com isso devido à dificuldade dos temas que me vieram à mente. Permita-me enviar-lhe como retribuição ao seu presente uma prova de prelo de minha última publicação que aborda também o campo literário (2). O senhor também já se encontra na categoria dos avançados em idade e por isso é capaz de en...

Ao Prof. M. Bleuler

  Ao Prof. M. Bleuler (1)   Kantonale Heilanstalt Burghölzli   Zurique   19 de agosto de 1950.   Prezado colega, Sua gentil carta, com os votos de feliz aniversário (2), trouxe-me surpresa e grande alegria. Fiquei bastante comovido em receber esta mensagem cordial de meu antigo lugar de trabalho, onde começou tudo o que mais tarde aconteceu. Ainda mais que não tive o prazer de encontrá-lo em sua idade adulta. Lembro-me do senhor apenas como garoto, num tempo que para mim está no passado distante. Mas estão vivas em minha lembrança as impressões e o estímulo que recebi de seu pai, a quem sempre serei grato. Devo muito à psiquiatria e sempre me conservei interiormente próximo a ela, pois desde o início me preocupou um problema bem geral: de que estrato procedem as ideias tão impressionantes da esquizofrenia? As questões daí resultantes levaram-me aparentemente para bem longe da psiquiatria clínica e fizeram-me perambular pelo mundo todo. Nessas...

Ao Dr. Phil. Gustav H. Graber

Ao Dr. Phil. Gustav H. Graber (1) Berna 14 de julho de 1950. Prezado e distinto colega! Seu número especial pelo meu aniversário, com seu gentil prefácio, foi para mim grande surpresa e grande alegria (2). Estou muito impressionado com o grande número de colaboradores e com suas excelentes contribuições. Reconheço o grande trabalho que deu ao redator reunir tanta coisa e tão boa. Esta publicação comemorativa, que antecipa a celebração de meu septuagésimo quinto aniversário, é em seu todo um notável resumo das minhas ideias que lançaram raízes na mente de meus contemporâneos. Por isso ela é importante para mim também como eco. O septuagésimo quinto aniversário é um momento em que se olha para trás, com um olhar sorridente e lacrimoso, para o longo caminho que foi percorrido, esperando que seja de proveito também para as outras pessoas. É confortador ver que não poucas sementes caíram em terra fértil. Agradeço em primeiro lugar ao senhor que me causou esta alegria, mas...

À Sra. Sibyle Birkhäuser-Oeri

À Sra. Sibyle Birkhäuser-Oeri (1) Binningen na Basileia 13 de julho de 1950. Prezada Sra. Birkhäuser, Infelizmente costuma acontecer (quando se é tão velho como eu) que o esprit d’escalier começa a desempenhar o seu papel indesejado. O seu caso continuou me atormentando, até que descobri o que foi que eu não lhe havia dito: deixar entrar o inconsciente é apenas a metade da tarefa. A segunda metade, que não mencionei, consiste em entender-se com o inconsciente. A fantasia que me entregou para ler nada mostra desse “entendimento”. Não sei se minha conclusão de que a senhora desconhece esta tarefa importante está certa. Exemplo disso pode encontrar em meu livro O eu e o inconsciente: é o caso de um jovem que deixa sua noiva cair numa fenda do gelo e se afogar (2). A gente tem que entrar pessoalmente na fantasia e obrigar a figura a falar e responder. Só assim o inconsciente é integrado na consciência, isto é, através de um processo dialético, através de um diálogo da sen...

Para o Prof. Chung-Yuan Chang

Para o Prof. Chung-Yuan Chang (1) Nova Iorque 26 de junho de 1950. Der Sir, Li o seu ensaio (2) com grande interesse e posso dizer-lhe que concordo basicamente com os seus pontos de vista. Vejo o taoísmo na mesma ótica do senhor. Sou grande admirador da filosofia de Chuang-tzu. Estava exatamente imerso no estudo de seus estudos, quando chegou a sua carta. O senhor certamente sabe que o taoísmo formula princípios psicológicos que são de natureza bem universal. Eles são de fato tão abrangentes que podem ser aplicados a toda a humanidade. Mas, por outro lado, exatamente por serem tão universais, os princípios do taoísmo precisam de uma retradução e especificação quando se trata de sua aplicação prática. Evidentemente é inegável princípios gerais são da maior importância, mas é importante também conhecer nos mínimos detalhes o caminho que leva à sua compreensão real. O perigo da mente ocidental está na simples aplicação de palavras em vez de fatos. O que a mente ocide...

A uma destinatária não identificada

10 de junho de 1950. Prezada Doutora! Com teorias não chegará a lugar nenhum. Procure ser simples e dar sempre apenas o próximo passo. Não precisa prevê-lo, basta que o examine depois. Não existe um “como” da vida, mas a gente o faz, como, por exemplo, a senhora escreveu a sua carta. No entanto, parece que para a senhora é tremendamente difícil não ser complicada e fazer o simples e o que está à mão. Com essas fantasias exageradas de salvação a senhora se isola do mundo. Desça, portanto, da montanha de sua humildade e siga o seu nariz. Este é o seu caminho, e o mais direto. Saudações cordiais, C. G. Jung.