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Mensagens

To Mr. C. H. Josten

To Mr. C. H. Josten (1) Curator of the Ashmolean Museum Oxford, 06 de abril de 1952.   Dear Sir, Muito obrigado por me deixar ver os sonhos de Ashmole (2). Uma série dessas é realmente única. É preciso retroceder até o século terceiro depois de Cristo para encontrar algo semelhante, ou seja, as visões-sonhos de Zósimo de Panópolis. Estes são induvitavelmente alquimistas, ao passo que os sonhos de Ashmole nada têm de alquimistas, ao menos numa visão superficial. Mas são de grande interesse enquanto contêm um problema que era de muita importância na geração imediatamente anterior ao tempo de Ashmole: o chamado “mysterium coniunctionis”, apresentado no documento literário de Christian Rosencreutz, Chymische Hochzeit , 1616. Constitui também o fundamento de Fausto , de Goethe, e um dos itens mais importantes da “Speculativa Philosophia”, de Gerardo Dorneo (final do século XVI, impresso em Theatrum Chemicum (3), vol. I, 1602). O “mysterium” alcança seu ápice no sonho de 29 ...

To Dr. John R. Smythies

Londres, 29 de fevereiro de 1952.   Dear Dr. Smythies, Não me atrevo a escrever uma carta ao editor do Journal of the S. P. R., como o senhor sugere (2). Receio que meu inglês seja muito pobre, sem boa gramática e muito coloquial. Entre filósofos muito letrados e ilustres a minha argumentação simples não faria boa figura. Além disso, sei por experiência que os filósofos não entendem minha linguagem inculta. Portanto, se me permite, prefiro escrever uma carta ao senhor e deixá-lo à vontade para fazer dela o que achar mais conveniente. Quanto à sua hipótese, eu já lhe disse que me agrada muito a sua ideia de um corpo perceptivo, isto é, “sutil” (3). Seu ponto de vista parece-me bastante confirmado pelo fato peculiar de que, por um lado, a consciência tem muito pouca informação direta sobre o corpo a partir de dentro e que, por outro lado, o inconsciente (isto é, sonhos e outros produtos do “inconsciente”) se refere muito raramente ao corpo e, quando o faz, é sempre através de...

Ao Dr. Erich Neumann

Tel Aviv/Israel, 28 de fevereiro de 1952. Prezado Neumann! Eu já devia ter-lhe escrito há mais tempo, mas nesse ínterim tive de baixar outra vez ao leito por causa de uma gripe. Aos 77 anos de idade, isto não é uma coisa muito simples, pois é “facilis descensus Averno” (1), mas difícil “revocare gradum”, isto é, os motivos da volta perdem aos poucos sua plausibilidade. Hoje é o primeiro dia em que estou de novo de pé e escrevo-lhe como se costuma fazer num mundo tridimensional. Quero dizer-lhe francamente que gostei muito de seu Amor und Psyche (2). É brilhante e escrito com a mais veemente participação . Acredito entender agora por que, seguindo Apuleio, o senhor deixou que se desenrolasse o destino de Psique e de sua feminilidade nas praaias distantes do primitivo mundo dos heróis. Com o maior escrúpulo e com lapidar precisão o senhor mostrou como este drama, enraizado num mundo primitivo, anônimo e afastado de qualquer capricho pessoal, desenrola-se diante de nossos olhos de fo...

To Dr. Ernest Jones

Elsted nr. Midhurst, Sussex/Inglaterra, 22 de fevereiro de 1952.   Dear Jones, As cartas de Freud em meu poder não são de importância especial. Contêm principalmente observações sobre editores ou sobre a organização da Sociedade Psicanalítica. E algumas outras são muito pessoais. Nada tenho contra a sua publicação. Em seu conjunto, não seriam uma contribuição importante para a biografia de Freud. Por outro lado, minhas recordações pessoais constituem um capítulo a parte. Elas têm muito a ver com a psicologia de Freud, mas, como não há outra testemunha além de mim, prefiro abster-me de narrativas não substanciais sobre o falecido. Esperando que entenda meus motivos, permaneço Very truly yours, C. G. Jung. (1) Ernest Jones, M. D., 1878-1958, psicanalista da “American Psychoanalytical Association” e da “Britsh Psychoanalytical Society” (1913). Autor de Sigmund Freud, Life and Work, 3 vols., Londres 1953-1957. Em 1920 fundou o International Journal of Psycho-Analysis e...

To Mr. J. Wesley Neal

Long Beach (Calif.)/ EUA, 09 de fevereiro de 1952.   Dear Sir, Não é fácil responder à sua pergunta sobre a “ilha da paz”. Parece-me que possuo uma porção delas, uma espécie de arquipélago de paz. Algumas das ilhas principais são: meu jardim, a vista das montanhas longínquas, minha casa de campo para onde vou quando quero fugir do barulho da vida na cidade, minha biblioteca. Também coisas pequenas, como livros, quadros e pedras. Quando estive na África, o guia do meu safári, um somali muçulmano, contou-me o que seu chefe de tribo lhe havia ensinado sobre o Chadir: “Ele pode aparecer-lhe como uma luz sem chama e sem fumaça, ou como um homem na estrada, ou como uma folhinha de capim”. Espero que isto responda à sua pergunta. Yours sincerely, C. G. Jung. JUNG, C. G. Cartas: 1946-1955. Vol. 2. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 215. Foto: Jardim da casa de C. G. Jung 

Ao Pastor Dr. Walter Ushadel

  Ao Pastor Dr. Walter Ushadel   Hamburgo, 06 de fevereiro de 1952.   Prezado Pastor, É extraordinariamente amável de sua parte querer dedicar-me o seu livro (1), e gostaria muito de aceitar esta dedicatória se eu tivesse certeza de que no futuro o senhor não se arrependerá por me haver dedicado o livro. Minha esposa chamou-me a atenção a respeito, sugerindo que isso pode acontecer e eu devo dar-lhe razão. Será publicado em breve um escrito meu bastante controverso, com o título Resposta a Jó . Infelizmente não posso entrar em detalhes sobre o que nele escrevi, mas apenas dizer-lhe que este escrito toma uma posição bem crítica diante do Javé veterotestamentário e consequentemente da recepção cristã do referido conceito de Deus. Mostrei o manuscrito a três amigos teólogos, e eles ficaram chocados. Por outro lado, várias pessoas mais jovens tiveram impressão positiva. Mas é fácil imaginar que meu escrito possa ter efeito devastador em meios de pensamento e sentime...

Para o Prof. John M. Thorburn

Para o Prof. John M. Thorburn (1) Upper Hartfield, Sussex/Inglaterra, 06 de fevereiro de 1952.   My dear Thorburn, Muito obrigado pelas duas cartas que me escreveu. Infelizmente não me lembro se respondi à primeira delas à mão, durante a ausência de minha secretária. Sei que era minha intenção fazê-lo, mas não sei se a concretizei. Eu simplesmente não dou mais conta de minha correspondência. Seja como for, respondo imediatamente à sua segunda carta e quero dizer-lhe o que penso daquela biografia. Em primeiro lugar, não gosto de biografias porque raras vezes são verdadeiras, e são interessantes apenas quando aconteceu alguma coisa na vida humana que os leitores possam entender. Enquanto as pessoas não entendem o que eu fiz com a psicologia, não há utilidade numa biografia. Minha psicologia e minha vida estão de tal forma entrelaçadas que minha biografia seria tão-só digna de leitura se tratasse também das coisas que descobri sobre o inconsciente. Fiquei muito interessant...