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Mensagens

Ao Dr. Carl Seelig

  Ao Dr. Carl Seelig (1) Zurique, 25 de fevereiro de 1953.   Prezado senhor! Cheguei a conhecer Albert Einstein (2) através de seu discípulo, um certo Dr. Hopf (3), se não me engano. O professor Einstein foi naquela época várias vezes meu hóspede ao jantar, quando estavam presentes, uma vez, Adolf Keller (4) e outras vezes o professor Eugen Bleuler, um psiquiatra e meu chefe em tempos idos. Isto foi há muito tempo, quando Einstein estava desenvolvendo sua primeira teoria da relatividade (5). Ele tentou expor-nos, com maior ou menor êxito, os elementos fundamentos dela. Como não-matemáticos, nós psiquiatras tivemos dificuldade de acompanhar o seu argumento. Mesmo assim, entendi o suficiente para ter uma boa impressão dele. Foi sobretudo a simplicidade e retidão de seu modo genial de pensar que me impressionou profundamente e exerceu uma influência duradoura sobre o meu próprio trabalho intelectual. Foi Einstein que me deu o primeiro impulso para pensar numa possível rel...

To Prof. J. B. Rhine

To Prof. J. B. Rhine Duke University Durham (N. C.)/EUA, 18 de fevereiro de 1953.   Dear Professor Rhine, Muito obrigado por sua gentil carta (1). Infelizmente meu estado de saúde não é bom, o que não me permite muito trabalho. O trabalho que planejo sobre a PES (percepção extra-sensorial) não diz respeito ao fato em si (o senhor já fez isto com o maior sucesso), mas ao fator emocional peculiar que parece ser uma condição muito importante e decisiva do sucesso ou fracasso do experimento com a PES. Normalmente (ainda que nem sempre) os casos espontâneos de PES acontecem sob circunstâncias emocionais (acidentes, morte, doença, perigo, etc.) que despertam as camadas arquetípicas e instintivas mais profundas do inconsciente. Eu gostaria de examinar o estado do inconsciente nos casos de acontecimentos maiores ou menores que ocorrem não raras vezes com os nossos pacientes. Observei vários casos de PES em meus pacientes durante esses anos todos. A única dificuldade é encontrar m...

Au Docteur Henri Flournoy

  Au Docteur Henri Flournoy Genebra, 12 de fevereiro de 1953.   Cher Confrère, Sempre tive minhas restrições a uma autobiografia, pois nunca se pode dizer a verdade. Se a gente for sincero, ou acredita ser sincero, isto é uma ilusão ou mau gosto. Recentemente fui solicitado, por parte de americanos, a dar minha contribuição para uma tentativa de biografia na forma de entrevistas. Alguém deveria começar este trabalho após o ano novo, mas até agora nada aconteceu. Eu pessoalmente não tenho a mínima vontade de escrever um romance ou um poema sobre esta bizarra experiência, chamada vida. A mim basta tê-la vivido. Minha saúde não está bem; tenho quase 78 anos de idade – segundo Cícero o “tempus maturum mortis” (1). Lamento não poder dar-lhe uma informação mais satisfatória. Agréez, cher Confrère, l’expression de ma parfeite considération. (Aceite, caro colega, a expressão da minha perfeita consideração). C. G. Jung.   (1)“O tempo maduro para a morte”. Cher Conf...

À G. van Schravendijk-Berlage

  Baarn/Holanda, 11 de fevereiro de 1953.   Prezada e distinta senhora! Só posso confirmar sua impressão sobre a disposição geral de ajudar. Aqui na Suíça participamos intensamente da terrível catástrofe que atingiu o seu país (1). Visto superficialmente, temos de considerar esta disponibilidade de ajuda como um sinal positivo do sentimento de solidariedade humana. Mas como a senhora vê corretamente, há algo mais profundo nisso, isto é, a pressão que pesa sobre toda a Europa e o medo mais ou menos patente da possibilidade de uma catástrofe ainda maior. Historicamente considerada, a situação política atual é única, como se uma cortina de ferro dividisse o mundo em duas partes que mantêm, por assim dizer, o equilíbrio da balança. Ninguém sabe a resposta para este problema. Mas sempre que o homem se defronta com uma pergunta ou situação sem resposta, em seu inconsciente se constelam arquétipos correspondentes. A primeira coisa que isto produz é uma inquietação geral do in...

Ao Dr. James Kirsch

  Ao Dr. James Kirsch Los Angeles (Calif.)/EUA, 29 de janeiro de 1953.   Meu prezado Kirsch! Gostaria de agradecer-lhe bem pessoalmente a grande honra com a qual me distinguiu e a grande alegria que isto me proporcionou (1). Espero e desejo tudo de bom para o futuro de sua associação. Se eu tivesse um título doctor honoris causa a conferir, colocaria em sua cabeça o chapéu acadêmico mais do que merecido, como reconhecimento de sua atividade verdadeiramente notável e meritória em favor de “minha” psicologia, ainda que eu não reivindique qualquer direito de propriedade. Ela representa um movimento do espírito que tomou conta de mim e ao qual pude e tive de servir durante a vida toda. É isso que ilumina o crepúsculo de minha vida e me enche de juvenil serenidade: ter recebido a graça de colocar o melhor de mim a serviço de uma grande causa. O que o senhor escreve sobre o efeito que Jó exerceu nos analistas concorda plenamente com a minha experiência: o número de indivíd...

To William Hamilton Smith

  To William Hamilton Smith (1) Springfield (Mass.)/EUA, 26 de janeiro de 1953.   Dear Mr. Smith, Cada um é livre de crer o que lhe convém no caso de coisas sobre as quais nada sabemos. Ninguém sabe se existe reencarnação, mas também ninguém sabe se não existe. O próprio Buda estava convencido da reencarnação, mas perguntado duas vezes por seus discípulos sobre isto, deixou em aberto a questão se existia uma continuidade da personalidade ou não. É verdade que não sabemos de onde viemos nem para onde vamos, ou por que estamos aqui neste tempo atual. Penso que seja correto acreditar que havendo feito aqui o melhor que podíamos, também estamos preparados da melhor forma possível para coisas futuras. Yours sincerely, C. G. Jung. (1)Mr. Smith apresenta-se como “just a little fellow 58 years old and employed as a packer in a government arsenal (…) with an intense desire to know where I came from, where I am going and why I am here in the present time”. Tradução: “apenas ...

Ao Dr. Med. Ignaz Tauber

  Ao Dr. Med. Ignaz Tauber (1) Winterthur, 23 de janeiro de 1953.   Prezado colega! Muito obrigado por sua amável visita. Tive uma noite muito boa. Um quidinal bastou para sustar a taquicardia. Hoje vou melhor e já estou de pé. Ontem esqueci completamente de perguntar-lhe o que o senhor acha de seu fumar. Até agora eu venho fumando um cachimbo com condensação de água (2) pela manhã antes de começar o trabalho, um charuto pequeno, correspondente a um ou dois cigarros, após o almoço, outro cachimbo pelas 4 horas da tarde, um   charuto pequeno após o jantar e geralmente mais um cachimbo pelas nove e meia. Um pouco de tabaco ajuda-me na concentração e contribui para a paz de espírito. Peço também que me envie a conta dos honorários. O senhor teve a gentileza de trazer-me o Corhormon. Já tomei hoje uma injeção. Com sincera gratidão por seus conselhos, sou atenciosamente, C. G. Jung.   (1)Dr. Med. Ignaz Tauber, Winterthur; clínico geral e analista. Ele e su...