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Mensagens

To Father Victor White

To Father Victor White   Oxford, Bollingen, 21 de setembro de 1951.   Dear Victor, Vi Mrs. X. e posso garantir-lhe que é vistosa e ainda mais ainda! Tivemos uma conversa muito interessante e devo admitir que ela é notável. Se alguma mulher já foi anima, então é ela sem dúvida alguma. Em tais casos é melhor fazer o sinal da cruz, porque a anima, especialmente quando é quintessencial como neste caso, lança uma sombra metafísica, comprida como a conta de hotel, contendo itens sem fim que combinam maravilhosamente. Não se pode rotulá-la e colocá-la numa gaveta. Ela realmente faz a gente pensar. Jamais havia esperado coisa igual. Ao menos entendi agora por que ela sonha com vencedores de corridas: isto faz parte dela. Ela é um fenômeno sincronístico perfeito; e não se pode acompanhá-la, tampouco quanto se pode acompanhar o nosso inconsciente. Suponho que seja muito grato a São Domingos por ter ele fundado uma ordem da qual o senhor é membro. Em tais casos agradece-se ...

À Aniela Jaffé

Zurique. Bollingen, 08 de setembro de 1951.   Prezada Aniela! Aqui vai um sinal de vida! Depois de Eranos estive muito cansado. Agora estou um pouco recuperado; e novamente fui tomado por uma ideia, dessa vez referente à sincronicidade. Preciso reelaborar o capítulo sobre a astrologia. Terei que fazer uma mudança significativa; foi Knoll (1) que me deu a pista. A astrologia não é um método mântico, mas parece basear-se em radiações de prótons (do Sol) (2). Preciso fazer ainda uma experiência estatística para estar seguro. Isto me consome, mas não a ponto de esquecer-me da senhora. Como vai? Espero que esteja melhor. Mande-me notícias suas, por favor. Depois de Eranos perdi a troca diária de ideias e o calor vital envolvente. Infelizmente tenho de finalizar. Meu filho chegou há pouco de barco. Por enquanto, cordiais saudações de seu C. G.   (1) Dr. Max Knoll (1897-1970), engenheiro, desde 1948 professor de eletrotécnica na Universidade de Princeton e desde 1956...

Ao Dr. H.

  Ao Dr. H. Alemanha, 30 de agosto de 1951. Prezado senhor H., O senhor precisa desculpar o meu longo silêncio. É que na primavera sofri muito do fígado e tive de ficar muitas vezes de cama. E nesse misere todo, ainda escrevi um pequeno ensaio (1) (cerca de 100 laudas datilografadas), cuja publicação me trouxe algumas preocupações. Tenho receio de estar mexendo um caldeirão de bruxas. Trata-se da mesma questão que o senhor levantou em sua carta de 1º de maio. Eu mesmo sinto que ainda não encontrei a formulação exata de minha resposta, isto é, aquele modo de exposição clara que pode transmitir ao público a minha concepção, sem provocar tantos mal-entendidos. O meu modus procedendi é naturalmente o empírico: como posso descrever satisfatoriamente o fenômeno “Cristo” sob o aspecto da experiência psicológica? As afirmações sobre Cristo são em parte afirmações sobre um homem empírico e, na maior parte, afirmações sobre um homem-deus mitológico. A partir dessas diversas afirmaçõe...

Ao Dr. Med. S.

Alemanha, 08 de agosto de 1951.   Prezado colega, Receba meus cordiais agradecimentos pela gentil lembrança de meu aniversário. Vejo com pesar em sua carta que o senhor sobre de zunidos nos ouvidos. Sintomas desse tipo são muitas vezes usados pelo inconsciente para “expressar” conteúdos psíquicos, isto é, os sintomas são intensificados por um afluxo psicógeno e só então adquirem o verdadeiro caráter de tortura. Sua atenção é forçada para dentro, onde fica presa aos zunidos perturbadores. É claro que ela deve voltar-se para dentro, mas não ficar presa aos zunidos; deveria penetrar naqueles conteúdos que aturam magneticamente sobre ela. A palavrinha “deveria” significa sempre que não sabemos o caminho para o objetivo almejado. Muitas vezes, porém, é útil saber ao menos que sobre o sintoma orgânico ainda há uma camada psíquica que poderíamos fazer sobressair. Sei apenas por experiência que é muito grande a exigência do inconsciente pela introversão – em seu caso, pode ouvir pa...

Excerto de carta à Aniela Jaffé

  Zurique, 18 de julho de 1951.   Prezada Aniela, (...) Alegro-me especialmente pelo fato de a senhora ter conseguido penetrar no sentido da segunda parte de meu escrito (1). A maioria dos leitores ficou só na primeira parte. Eu pessoalmente prefiro a segunda parte porque está ligada à questão do presente e futuro. Se existe algo como ser arrebatado violentamente por um espírito, então foi desse modo que nasceu este escrito. (...)   (1) Trata-se do manuscrito de Resposta a Jó.

Ao Prof. Karl Kerényi

  Ascona, 12 de julho de 1951.   Prezado Professor! A rápida publicação e a bela apresentação de Einfühurung in die Mythologie (1) me supreenderam. É gratificante saber que este livro está agora bem preservado. As experiências que está fazendo atualmente (2) ocorrem inevitavelmente a quem se ocupa conscientemente com o mundo primitivo das imagens eternas. Ele se estende para além de si mesmo. Nele se confirma a opinião do velho alquimista: “maior autem animae pars extra corpus est...” (3). O senhor tem razão: em relação a seu pano de fundo arquetípico, as imagens banais de sonhos são mais instrutivas e de maior força probatória do que sonhos “mitologizados”, que são suspeitos de provirem de leituras. O caso que o senhor conta é muito interessante. Trata-se de um efeito consequente do modelo arquetípico. Estou muito interessado em ouvir os detalhes de suas experiências. Posso imaginar que para um mitólogo a colisão com arquétipos vivos seja uma experiência muito esp...

Ao Dr. Med. St. Wieser

Horgen em Zurique, 06 de julho de 1951.   Prezado colega, Agradeço muito a gentil informação sobre sua interessante experiência. Trata-se de um caso que chamaríamos de clarividência. Mas como é uma palavra que nada significa de mais relevante, também nada explica. Pode-se entender alguma coisa a mais desses acontecimentos se os observarmos dentro do grande contexto de fatos iguais e semelhantes. Lançando-se um olhar superficial sobre a soma dessas experiências, chega-se à conclusão de que existe algo como um “conhecimento absoluto” (1), não acessível à consciência, mas provavelmente ao inconsciente, ainda que apenas sob certas condições. De acordo com a minha experiência, essas condições dependem sempre de alguma emoção. Toda emoção mais profunda tem uma influência rebaixadora sobre a consciência, o que Pierre Janet chama de “abaissement du niveau mental” (2). Mas o rebaixamento da consciência significa por outro lado uma aproximação do inconsciente e, como este parece ter um...