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Mensagens

To Prof. J. B. Rhine

Duke University Durham (N. C.) EUA, 09 de agosto de 1954.   Dear Dr. Rhine, Obrigado por sua gentil carta. A tradução inglesa de "Synchronizität" será publicada pela Bollingen Press. O tradutor é o Mr. Hull, que está traduzindo minhas obras completas. Ele entende bem o conceito de sincronicidade, que no fundo não é complicado e tem longa história, desde a remota antiguidade até Leibniz. Ele tinha ainda   quatro princípios para explicar a natureza: espaço, tempo, causalidade e sua harmonia praestabilita , um princípio acausal. Se não me engano, minha dissertação(1) foi publicada, no meu livro Collected Papers on Analytical Psychology (2ª edição, 1920). (No momento não estou em casa). A dificuldade principal com a sincronicidade (e também com a PES) está em que as pessoas pensam que ela é produzida pelo sujeito, enquanto eu penso que ela está antes na natureza de acontecimentos objetivos. Mesmo que a PES seja um dom de certas pessoas e parece depender de uma per...

A uma destinatária não identificada

Bollingen, 31 de julho de 1954.   Dear N., Durante o tumulto do congresso (1) não tive tempo de examinar seus dois sonhos. Eles possuem alguns aspectos confusos. O primeiro sonho tenta demonstrar-lhe que o símbolo de uma união sexual perfeita significa a imagem ctônica da unidade no si-mesmo. Esta tentativa se choca logo com sua divisão entre o em cima e o embaixo, e a senhora começa a pergunta-se se não deveria ter-se mantido do lado ctônico. É evidente que deve fazer isto, sem contudo, perder de vista o aspecto espiritual. Sexualidade e espírito – ambos são um e o mesmo no si-mesmo, ainda que o seu ego seja dominado por seu lado ctônico sempre um pouco fraco demais. Neste caso a senhora corre o perigo de perder-se completamente nele, apoiada num animus idiota que só pode captar um ou outros por vez. Enquanto estiver no si-mesmo, ambos os aspectos estão vivos porque são um e o mesmo, ainda que nossa consciência do eu os distinga. Finalmente, o ego deve ceder e restringir-...

A Fernando Cassani

Caracas/Venezuela, 13 de julho de 1954.   Prezado senhor, Muito obrigado por sua amável carta. Quanto aos meus livros, posso dizer que nenhum deles apresenta uma síntese ou fundamento, ao menos na minha opinião. Não sou filósofo, que pudesse fazer algo tão ambicioso, mas um empírico que apresenta os progressos de suas experiências; por isso minha obra não tem um início absoluto nem um fim abrangente. É como a vida de uma pessoa que de repente se torna visível em algum lugar, que se baseia em pressupostos determinados mais invisíveis, e que portanto não tem um verdadeiro início nem verdadeiro fim, cessando repentinamente e deixando para trás questões que deveriam ter sido respondidas. O senhor não conhece ainda os meus últimos escritos (talvez os mais importantes). Incluo por isso uma lista deles. Quanto aos escritos de Ouspensky (1) e Gurdieff (2), sei o bastante sobre eles para não perder o meu tempo. Estou à procura de verdadeiro conhecimento e evito toda especulação nã...

To Carol Jeffrey

Londres, 03 de julho de 1954.   Dear Mrs. Jeffrey, Peço desculpas pela demora em responder. Tenho pouco tempo e às vezes minhas energias são poucas. Olhei os seus quadros com apreço e admiração. Fiquei surpreso com a sua pergunta: “Para quem pintei os quadros?” Eles são seus, e a senhora os pintou como apoio de seu próprio processo de individuação. Como o Jongleur de Notre-Dame exibiu suas obras de arte em honra da Madonna (2), assim a senhora pintou para o si-mesmo. Em reconhecimento a este fato, estou devolvendo para a senhora os quadros. Eles não devem ficar aqui, e em nenhum outro lugar a não ser com a senhora, pois eles representam a aproximação dos dois mundos, do espírito e do corpo, ou do ego e do si-mesmo. Os opostos se procuram mutuamente, de modo que o outro lado vem para cá e o aqui é engolido pelo lá. (...) De qualquer forma, agradeço o fato de me haver mostrado os seus quadros. Acredito que vá ajudar-lhe contemplá-los pro tanto tempo quanto for necessário para...

Ao senhor P. F. Jenny

Ao senhor P. F. Jenny Zurique, 01, de julho de 1954.   Prezado senhor, O aparecimento em público e o consequente sucesso estrondoso de uma criança-prodígio trazem um grande perigo; por isso um aparecimento sem estardalhaço não apenas não prejudica, mas é inclusive recomendável. O desenvolvimento de tal criança costuma ser irregular; não raro, parte da personalidade permanece longo tempo subdesenvolvida, ou seja, infantil, e este lado precisa ser protegido de um dispêndio exagerado de natureza psíquica e física; caso contrário, pode sobrevir um esgotamento prematuro das fontes do prodígio. Em muitos casos acontece que as crianças bem dotadas são envolvidas no grande mundo e em seu tumulto nervoso cedo demais para sua situação, esgotando-se então bem rapidamente seus dotes. Penso que o senhor faria bem se mantivesse sua atenção voltada para este lado subdesenvolvido; o gênio cuida de si mesmo. Com elevada consideração,  C. G. Jung

To Dr. Michael Fordham (1)

Londres, 18 de junho de 1954.   Dear Fordham, Sua carta traz más notícias; senti muito que não tenha conseguido o posto no Instituto de Psiquiatria (2), ainda que seja um pequeno consolo para o senhor que tenham escolhido ao menos um de seus discípulos, o Dr. Hobson (3). Depois de tudo, o senhor se aproxima da idade em que a gente deve familiarizar-se com a dolorosa experiência de ser superado. O tempo passa e inexoravelmente somos deixados para trás, às vezes mais e às vezes menos; e temos de reconhecer que há coisas além de nosso alcance que não deveríamos lamentar, pois esta lamentação é um remanescente de uma ambição por demais jovem. Nossa libido continuará certamente querendo agarrar as estrelas, se o destino não tornasse claro, além de qualquer dúvida razoável, que devemos procurar a perfeição dentro e não fora... infelizmente! Sabemos que há muito a melhorar no interior da pessoa, de modo que devemos agradecer à adversidade quando ela nos ajuda a reunir a energia ...

Monsieur André Barbault

Paris, 26 de maio de 1954.   Monsieur, Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas pela demora em responder à sua carta de 19 de março. Isto se deve às minhas férias ou doença. Além disso, minha idade já não me permite cumprir todas as minhas obrigações como eu gostaria. Eis as respostas às suas perguntas: 1.Relação entre astrologia e psicologia: Há muitos exemplos de analogias surpreendentes entre constelações astrológicas e fatos psicológicos, ou entre o horóscopo e a disposição do caráter. Até certo ponto é possível predizer inclusive o efeito psíquico de uma passagem, por exemplo (2). Pode-se esperar com um grau de possibilidade bastante elevado que uma situação psíquica determinada venha acompanhada de uma configuração astrológica análoga. A astrologia, assim como o inconsciente coletivo, com o qual se ocupa a psicologia, consiste de configurações simbólicas: os planetas são os “deuses”, símbolos das forças do inconsciente (em primeiro lugar, ao lado de outr...