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Mensagens

To. Mr. E. Roenne-Peterson

To Mr. E. Roenne-Peterson (1) Estocolmo, 16 de março de 1953.   Dear Sir, A inseminatio artificialis poderia de fato tornar-se um problema público e legal numa sociedade em que veio a predominar um ponto de vista racionalista e materialista, e onde foram suprimidos os valores culturais como a liberdade de pensamento e relacionamentos humanos. Este perigo não está tão afastado que se possa desconsiderá-lo. Por isso é uma questão legítima quando alguém pergunta sobre as possíveis consequências de semelhante prática. Do ponto de vista da psicopatologia, o efeito imediato seria uma gravidez “ilegítima”, isto é, sem pai, ainda que a fertilização tenha ocorrido dentro do matrimônio e sob condições legais. Seria um caso de paternidade ignorada. Uma vez que os seres humanos são cada qual um indivíduo, e não algo intercambiável, o pai não poderia ser substituído artificialmente. A criança sofreria inevitavelmente os embaraços da ilegitimidade, ou da orfandade, ou da adoção. Esta c...

Ao Dr. Josef Rudin

  Ao Dr. Josef Rudin (1) Zurique, 14 de março de 1953.   Prezado Doutor! Devo-lhe meu agradecimento pelo gentil envio de seu ensaio sobre Jó (2). Na polaridade divina, trata-se psicologicamente de uma oppositio e não de contradictio (3), e por isso Nicolau de Cusa fala de “opposita”. A não-reciprocidade da relação homem-Deus é uma doutrina difícil (4). As criaturas seriam então coisas, mas não indivíduos livres, e qual seria o motivo para a encarnação se o destino da humanidade não afetasse a Deus? Também nunca se ouviu dizer que uma ponte levasse apenas a um lado do rio. A ideia original não é que o homem não pode exercer nenhuma compulsão sobre Deus? Mas que, por exemplo, a oração das pessoas pode chegar a Deus? E que pela encarnação Deus tornou-se muito mais acessível? Desculpe, por favor, estas perguntas ingênuas. Não precisam de resposta. Com elevada consideração, G. G. Jung.   (1)Prof. Dr. Phil. Josef Rudin, psicoterapeuta, professor no Instituto de ...

Ao Dr. Ignaz Tauber

Winterthur, 13 de março de 1953.   Prezado colega! Desculpe o meu atraso. Já deveria tê-lo informado há mais tempo. O Convenal teve bom efeito. Devido a um sonho abandonei completamente o fumo há cinco dias (1). A última queda do barômetro, dois dias atrás, não me afetou. Espero agora pela próxima. A nevada teria sido ideal em outras ocasiões. Dê minhas saudações especiais à sua esposa. Agradeço a sua carta. Por enquanto estou ainda de péssimo humor. O que fariam os deuses sem um sacrifício de fumar? Estou razoavelmente bem. Saudações cordiais de C. G. Jung.   (1)No dia 04 de fevereiro, Jung havia escrito ao Dr. Tauber: “Por certo tempo observei fielmente as rigorosas prescrições de abstinência, até que minha impaciência me levou novamente a algumas cachimbadas. Dos dois males pareceu-me ser o cachimbo o menor...”

Ao Dr. Carl Seelig

  Ao Dr. Carl Seelig (1) Zurique, 25 de fevereiro de 1953.   Prezado senhor! Cheguei a conhecer Albert Einstein (2) através de seu discípulo, um certo Dr. Hopf (3), se não me engano. O professor Einstein foi naquela época várias vezes meu hóspede ao jantar, quando estavam presentes, uma vez, Adolf Keller (4) e outras vezes o professor Eugen Bleuler, um psiquiatra e meu chefe em tempos idos. Isto foi há muito tempo, quando Einstein estava desenvolvendo sua primeira teoria da relatividade (5). Ele tentou expor-nos, com maior ou menor êxito, os elementos fundamentos dela. Como não-matemáticos, nós psiquiatras tivemos dificuldade de acompanhar o seu argumento. Mesmo assim, entendi o suficiente para ter uma boa impressão dele. Foi sobretudo a simplicidade e retidão de seu modo genial de pensar que me impressionou profundamente e exerceu uma influência duradoura sobre o meu próprio trabalho intelectual. Foi Einstein que me deu o primeiro impulso para pensar numa possível rel...

To Prof. J. B. Rhine

To Prof. J. B. Rhine Duke University Durham (N. C.)/EUA, 18 de fevereiro de 1953.   Dear Professor Rhine, Muito obrigado por sua gentil carta (1). Infelizmente meu estado de saúde não é bom, o que não me permite muito trabalho. O trabalho que planejo sobre a PES (percepção extra-sensorial) não diz respeito ao fato em si (o senhor já fez isto com o maior sucesso), mas ao fator emocional peculiar que parece ser uma condição muito importante e decisiva do sucesso ou fracasso do experimento com a PES. Normalmente (ainda que nem sempre) os casos espontâneos de PES acontecem sob circunstâncias emocionais (acidentes, morte, doença, perigo, etc.) que despertam as camadas arquetípicas e instintivas mais profundas do inconsciente. Eu gostaria de examinar o estado do inconsciente nos casos de acontecimentos maiores ou menores que ocorrem não raras vezes com os nossos pacientes. Observei vários casos de PES em meus pacientes durante esses anos todos. A única dificuldade é encontrar m...

Au Docteur Henri Flournoy

  Au Docteur Henri Flournoy Genebra, 12 de fevereiro de 1953.   Cher Confrère, Sempre tive minhas restrições a uma autobiografia, pois nunca se pode dizer a verdade. Se a gente for sincero, ou acredita ser sincero, isto é uma ilusão ou mau gosto. Recentemente fui solicitado, por parte de americanos, a dar minha contribuição para uma tentativa de biografia na forma de entrevistas. Alguém deveria começar este trabalho após o ano novo, mas até agora nada aconteceu. Eu pessoalmente não tenho a mínima vontade de escrever um romance ou um poema sobre esta bizarra experiência, chamada vida. A mim basta tê-la vivido. Minha saúde não está bem; tenho quase 78 anos de idade – segundo Cícero o “tempus maturum mortis” (1). Lamento não poder dar-lhe uma informação mais satisfatória. Agréez, cher Confrère, l’expression de ma parfeite considération. (Aceite, caro colega, a expressão da minha perfeita consideração). C. G. Jung.   (1)“O tempo maduro para a morte”. Cher Conf...

À G. van Schravendijk-Berlage

  Baarn/Holanda, 11 de fevereiro de 1953.   Prezada e distinta senhora! Só posso confirmar sua impressão sobre a disposição geral de ajudar. Aqui na Suíça participamos intensamente da terrível catástrofe que atingiu o seu país (1). Visto superficialmente, temos de considerar esta disponibilidade de ajuda como um sinal positivo do sentimento de solidariedade humana. Mas como a senhora vê corretamente, há algo mais profundo nisso, isto é, a pressão que pesa sobre toda a Europa e o medo mais ou menos patente da possibilidade de uma catástrofe ainda maior. Historicamente considerada, a situação política atual é única, como se uma cortina de ferro dividisse o mundo em duas partes que mantêm, por assim dizer, o equilíbrio da balança. Ninguém sabe a resposta para este problema. Mas sempre que o homem se defronta com uma pergunta ou situação sem resposta, em seu inconsciente se constelam arquétipos correspondentes. A primeira coisa que isto produz é uma inquietação geral do in...