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Mensagens

To Rev. Erastus Evans

  To Rev. Erastus Evans, c/o The Guild of Pastoral Psychology Londres, 17 de fevereiro de 1954.   Dear Mr. Evans, Permita que lhe expresse meu sincero agradecimento por sua recensão (1) verdadeiramente objetiva de minha desajeitada tentativa de perturbar a odiosa sonolência dos guardiães. É assim que vejo esta meu maldito e pequeno livro. Habent sua fata libelli ! (Os livros têm os seus!) Por mim não teria escrito sobre esta assunto. Eu me mantive afastado dele cuidadosamente. Publiquei anteriormente o volume Aion em linguagem cortês e tão humana quanto possível. Mas aparentemente isto não bastou, porque fiquei doente e, quando estava com febre, esta coisa me atacou e me obrigou a escrever, apesar da febre, da minha idade e de meu coração que não está muito bom. Posso assegurar-lhe que sou um covarde moral enquanto possível. Como pequeno e bom burguês estou ainda sob o choque de todas as minhas indiscrições e mantenho-me prostrado e escondido o mais que posso, juran...

Ao Dr. James Kirsch

  Ao Dr. James Kirsch Los Angeles (Calif.) EUA, 16 de fevereiro de 1954.   Dear Kirsch, (...) Não acredito que os judeus devam aceitar o símbolo de Cristo. Só precisam compreender o seu significado: Ao querer transformar Javé num Deus moral do bem, Cristo separou os opostos (Satanás cai do céu, Lucas 10.18) que estavam unidos nele (Deus), ainda que de modo desarmônico e irrefletido; daí a suspensão entre os opostos na crucifixão. O objetivo da reforma cristã (através de Cristo) foi eliminar as consequências morais perniciosas, causadas pelo protótipo divino amoral. Não se pode ao mesmo tempo “filtrar mosquitos e engolir camelos” (Mateus 23.24) ou “servir a dois senhores” (Mateus 6.24), etc. Esta diferenciação moral é um passo imprescindível no caminho da individuação. Sem profundo conhecimento do “bem e do mal”, do eu e da sombra, não existe conhecimento de si-mesmo, mas no máximo uma identificação arbitrária e, por isso, perigosa com ele. O judeu tem atrás de si...

To Prof. G. A. van den Bergh von Eysinga

  To Prof. G. A. van den Bergh von Eysinga (1) Bloemendaal/Holanda, 13 de fevereiro de 1954.   Dear Sir, Neste meio-tempo, alguém ajudou-me num cuidadoso resumo de sua recensão (2). Parece-me que há certo mal-entendido de minhas ideias básicas. Antes de mais nada, não sou filósofo e meus conceitos não são filosóficos e abstratos, mas empíricos ou biológicos. O conceito em geral mal compreendido é o de arquétipo, que cobre certos fatos biológicos, mas que não é uma ideia hipostasiada. O “arquétipo” é praticamente sinônimo do conceito biológico de “padrão comportamental” (behaviour pattern). Mas como este designa principalmente fenômenos externos, escolhi o termo “arquétipo” para o “padrão psíquico” (psychic pattern). Não sabemos se o pássaro tecelão contempla uma imagem interna ao seguir um modelo imemorial e hereditário na construção de seu ninho; mas, pelo que sabemos da experiência, nenhum pássaro tecelão inventou seu ninho. É como se a imagem da construção do ninh...

To John D. Barret

To John D. Barret (1) Bollingen Foundation Inc. Nova Iorque, 11 de fevereiro de 1954.   Dear Barret, Muito obrigado pelo envio do relatório de meus direitos autorais. Há pouco tempo encontrei Kurt Wolff (2) e sua esposa. Conversamos sobre muitas coisas, mas não precisamente sobre coisas que eu mencionaria nesta carta. A partir de um número de reações, independentes entre si, da América sobre o objetivo geral e atividade da Bollingen Foundation, concluí que a Fundação deve ser uma exceção singular nos Estados Unidos. Minha impressão é que se trata de uma pequena ilha num mar infinito de incompreensão e superficialidade. Não consegui entender ainda o que significa para o nível educacional a ausência quase completa das ciências humanas em geral. Tanto mais valorizo hoje o gênio de Mrs. Mellon que planejou a Bollingen Foundation, com a generosa contribuição de Paul Mellon. Gostaria apenas de dizer-lhe que não é fácil para um europeu julgar corretamente uma situação mental...

To Dr. John W. Perry

  To Dr. John W. Perry San Francisco/EUA, 08 de fevereiro de 1954.   Dear Perry, Lamento que o senhor devesse esperar tanto por minha resposta à sua pergunta (1). Aconteceram várias coisas neste meio-tempo, e também minha saúde não se comportou bem. Tentarei responder à sua pergunta do modo mais simples possível; é um problema difícil, como o senhor mesmo deve ter percebido. Em primeiro lugar, a regressão que ocorre no processo de renascimento ou integração é em si um fenômeno normal, podendo ser observado também em pessoas que não sofrem de nenhuma psicopatia. No caso de uma constituição esquizoide, observa-se quase o mesmo, apenas com a diferença de que há uma tendência marcante do paciente ficar preso ao material arquetípico. Neste caso, repete-se sempre de novo o processo de renascimento. Esta é a razão por que a esquizofrenia clássica desenvolve condições estereotipadas. Até certo ponto, a experiência é a mesma com indivíduos neuróticos. Isto é assim porque o ma...

Ao Dr. Erich Neumann

  Ao Dr. Erich Neumann Tel Aviv/Israel, 30 de janeiro de 1954.   Prezado Neumann, Muito obrigado por sua amável carta. Estava escrevendo agora mesmo a Hull para inserir na edição inglesa de Symbole der Wandlung uma referência aos trabalhos do senhor (1). A passagem para o novo ano não transcorreu sem algumas dificuldades: o fígado e os intestinos se revoltaram contra a comida gordurosa do hotel de Locarno, o que, por outro lado, trouxe a vantagem de eu ter uma semana e meia a mais de férias do que o previsto. Já penetrei um bom pedaço em seu “Kulturentwicklung” (2) e poderei continuar com a leitura assim que me livrar da montanha de cartas, que se acumulou na minha ausência. Eu retribuiria sem mais com a denominação “gnóstico”, não fosse ela uma palavra injuriosa na boca de um teólogo. Eles me acusam do mesmo erro que eles mesmos cometem, isto é, a desconsideração presunçosa dos limites epistemológicos: quando um teólogo diz “Deus”, então deverá ser Deus, e exat...

To E. L. Grant Lovegood Watson (Elliot Lovegood Grant Watson)

  To E. L. Grant Watson Northam, Devon/Inglaterra, 25 de janeiro de 1954.   Dear Mr. Watson, Seu sonho é notável (1). O sonho com o cavalo representa a união com a alma animal, de que o senhor sente falta há muito tempo. A união produz um estado peculiar da mente, isto é, um pensamento inconsciente que lhe permite perceber o progresso natural da mente em sua esfera própria. O senhor pode considerar o sonho como um processo natural de pensar no inconsciente ou como antecipação de uma vida mental após a morte (2). (Isto é uma possibilidade, dado que a psique é, ao menos em parte, independente do espaço e do tempo. Cf. os experimentos de Rhine com a PES). Os pés significam “ponto de vista”; os hindus = ponto de vista oriental. O sonho indica sua transmutação da perspectiva ocidental para a percepção oriental do atmã = si-mesmo e sua identidade com o atmã universal. O senhor passa além do ego para horizontes sempre mais amplos, onde o atmã revela gradualmente seu aspecto u...